quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Helena amava Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro
que me encantam desde os tempos de menina que brincava na rua e lia e era feliz.
Seu Drummond que me desculpe por ninguém ter ido aos Estados Unidos, ou ao convento,
por ninguém ter morrido, ou ficado para tia,
ou ainda se suicidado, ou casado com um "Fernandes que não tinha entrado na história."

(A verdade é que não sei escrever,
nem rimar,
coisa que só faço ao falar, sem intenção e a contragosto.
Só sei viver
e amar
e sonhar,
em noites de verão ou não,
e isso faço de bom grado.)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para alguém que desconheço

O doente, desgraçado, alternava entre tragadas e beijos, entre fumaça e cabelos, entre o cigarro e outro corpo, sem saber precisamente qual seria seu maior vício: ele ou ela.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

E o projeto de gente moldava formas no ar - formas que só ela via, através dos olhos negros e brilhantes. O outro, mantendo os seus fechados, perdia-se em sonhos. E eu, da mesma forma, me perdi. Me perdi em devaneios diários, a garganta fechada num nó para não gritar; os pés rápidos no chão que metamorfoseava constantemente, terra, grama, asfalto.
(Aquele lirismo todo, confesso, me assustou. Admirada, desejei ter escrito tudo aquilo com minhas mãos, minha tinta. Não era a primeira vez - ou melhor, é algo que reprimo há muito tempo, que ainda guardo. Não só por ela, uma vontade insana de ser outro, ser diferente. Outra. Ser outra para ser única.)
O pulso acelerado, era tudo de uma só vez. O som invadia a cidade. A cidade me invadia.

quarta-feira, 3 de março de 2010

É sempre carnaval no Brasil

Ora, trato aqui de uma despedida - não poderia ir além.
Um abraço seguido de um longo beijo-piada, no rosto. Sem palavras. Não seria esse o necessário, o básico?
Eu sei que não foi sério. E isso machuca.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O poste sorriu, "Olá, menina das borboletas".
Tentei escrever um conto sobre a menina das borboletas. Ou melhor, a caçadora de borboletas. Guardaria cada uma delas dentro de si - suas cores, o bater de suas asas. Não consegui, por perceber que não a invejaria.
Quem sabe seja porque já as tenho; fazendo cócegas em meu estômago, atrapalhando minha respiração.