sexta-feira, 18 de março de 2011

Na agenda

"Eu ria sozinha daquele entusiasmo todo, que ora me irritava, ora me fascinava. Como um amigo dissera, simpatia demais - e aqui entra minha observação sobre o tentar falar de tudo ou falar sobre qualquer coisa a qualquer um."

Sou meio doente, tenho quase certeza. Minha mania já conhecida de imaginar situações é válida não só para aquilo que não existe, mas para quase todas as pessoas que conheço. Quero ser feliz como elas são; ou melhor, quero saber demonstrar como elas o fazem.
E isso é uma grande mentira, pois meu único desejo é aprender a reconhecer a minha própria felicidade. Sempre fui discreta, não preciso gritar o que sinto para o mundo todo. Prefiro que meus olhos falem por mim.
Enfim, creio que o tempo das historinhas passou. Ultimamente tenho pensado muito mais em minha vida e não na de personagens. Conclui sozinha que vivo num tempo que não chegou, num mundo que não existe, querendo ser quem não sou.
Estou cansada.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Incrível mesmo esse amor.
Foi uma conversa curta, mas agradável – nada além de uma despedida. Que creio ter sido dessa forma porque eu, finalmente, tive coragem suficiente para acenar.
Eis que meu amigo se aproxima e começamos a falar. O jogo que não jogamos, visitas, a câmera, adversidades, algumas adivinhas e risadas.
– Então vai morar sozinho mesmo?
– É o jeito, né... estudando em outra cidade. Ainda não sei se passei, e tem a segunda fase...
A pergunta seguinte ou foi ignorada, ou passou despercebida, e nem eu me lembro mais.
– … mas se ela passar em Comunicação, talvez eu não vá só.
Sorri, encantada. Ele não precisava dizer o nome dela. Eu sabia. E entendo os motivos dele para ter falado dessa forma. Ele sabe que eu sei, e que faço o mesmo, nas mesmas circunstâncias.

Acho que essas pessoas que amam trocam algum tipo de sinal, assim, sem querer.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Helena amava Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro
que me encantam desde os tempos de menina que brincava na rua e lia e era feliz.
Seu Drummond que me desculpe por ninguém ter ido aos Estados Unidos, ou ao convento,
por ninguém ter morrido, ou ficado para tia,
ou ainda se suicidado, ou casado com um "Fernandes que não tinha entrado na história."

(A verdade é que não sei escrever,
nem rimar,
coisa que só faço ao falar, sem intenção e a contragosto.
Só sei viver
e amar
e sonhar,
em noites de verão ou não,
e isso faço de bom grado.)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para alguém que desconheço

O doente, desgraçado, alternava entre tragadas e beijos, entre fumaça e cabelos, entre o cigarro e outro corpo, sem saber precisamente qual seria seu maior vício: ele ou ela.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

E o projeto de gente moldava formas no ar - formas que só ela via, através dos olhos negros e brilhantes. O outro, mantendo os seus fechados, perdia-se em sonhos. E eu, da mesma forma, me perdi. Me perdi em devaneios diários, a garganta fechada num nó para não gritar; os pés rápidos no chão que metamorfoseava constantemente, terra, grama, asfalto.
(Aquele lirismo todo, confesso, me assustou. Admirada, desejei ter escrito tudo aquilo com minhas mãos, minha tinta. Não era a primeira vez - ou melhor, é algo que reprimo há muito tempo, que ainda guardo. Não só por ela, uma vontade insana de ser outro, ser diferente. Outra. Ser outra para ser única.)
O pulso acelerado, era tudo de uma só vez. O som invadia a cidade. A cidade me invadia.