O escrito foi, mas a lista ficou. Ainda espero por alguém que me apresente um motivo para jogá-la fora, mesmo não precisando dele; afinal, ela só está lá, não implora para ficar.
Eu tenho esse mau hábito de guardar, fora ou dentro de mim, coisas que aparentemente não servem para nada. A única utilidade que encontro para elas é a lembrança. No caso da lista, de que talvez eu não deva reclamar tanto, de que talvez tudo esteja bem, que eu esteja exagerando. Mas se eu pudesse, e se cada unidade relacionada existisse de fato, eu não me contentaria com a lembrança; faria também perguntas. Ou melhor, uma só pergunta, a que mais me atormenta, que me tira o sono, que me arranca lágrimas toda noite: mesmo sabendo, por que escolhemos sofrer tanto?
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Índice telefônico
Já perdi a conta de quantas vezes pensei em sumir, só para verificar se faço alguma falta, alguma diferença. Se quando eu era menor fazia meus próprios recortes, com medo de que os outros fugissem, hoje, ao tentar juntar meus pedaços, vejo que as pessoas continuam fazendo o trabalho do qual haviam sido poupadas por mim: me idealizando, recortando e, por fim, fugindo -- lenta e dolorosamente.
Eu costumava existir como cinco ou seis, mesmo sendo somente uma: a mais desconhecida, talvez até para mim. O maior problema em me aceitar como uma só (assim como sempre aceitei os outros, inteiros, com todas as imperfeições) é ter de lidar com a negligência, a frieza; com o fato de que, mesmo tentando, nunca é o bastante, nunca é suficiente. Acho que isso é o que machuca: ver o medo de outrora se concretizando -- medo que, querendo ou não, já era realidade, porque cinco ou seis incompletas só servem para cinco ou seis ocasiões; o resto é ausência, de tudo. Medo que eu fingia esquecer.
Eu costumava existir como cinco ou seis, mesmo sendo somente uma: a mais desconhecida, talvez até para mim. O maior problema em me aceitar como uma só (assim como sempre aceitei os outros, inteiros, com todas as imperfeições) é ter de lidar com a negligência, a frieza; com o fato de que, mesmo tentando, nunca é o bastante, nunca é suficiente. Acho que isso é o que machuca: ver o medo de outrora se concretizando -- medo que, querendo ou não, já era realidade, porque cinco ou seis incompletas só servem para cinco ou seis ocasiões; o resto é ausência, de tudo. Medo que eu fingia esquecer.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Segunda-feira, 05 de dezembro de 2011
(...)
Sei que lá eu rasgava a pele na grade da quadra, cortava os joelhos no chão, brincava na rua até "tarde" e tomava sorvete depois do café da manhã. Mas entender a importância dessas coisas todas para mim foi aqui -- tarde ou cedo demais, de que importa? Hoje eu sinto com o que fui lá e o que sou aqui, e espero sempre ser um misto das duas coisas, para que a inocência e curiosidade de lá possam guiar a consciência e sensibilidade daqui.
(Mas bem que eu queria que dormir depois das dez ainda fosse motivo de espanto!)
(...)
Sei que lá eu rasgava a pele na grade da quadra, cortava os joelhos no chão, brincava na rua até "tarde" e tomava sorvete depois do café da manhã. Mas entender a importância dessas coisas todas para mim foi aqui -- tarde ou cedo demais, de que importa? Hoje eu sinto com o que fui lá e o que sou aqui, e espero sempre ser um misto das duas coisas, para que a inocência e curiosidade de lá possam guiar a consciência e sensibilidade daqui.
(Mas bem que eu queria que dormir depois das dez ainda fosse motivo de espanto!)
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Eu quis ser Dora
Eu quis ser Dora, assim como quis ser muitas outras. Quis porque conseguia vê-las em mim, ou talvez o contrário. E quis primeiro Dora porque era a mais fresca, mais recente em minha memória, porque a Bahia me pegou desprevenida e porque a beleza das palavras do militante baiano me conquistou. Considerando todas elas, quis porque existem de uma forma diferente, foram feitas para inspirar as mais tontinhas como eu, talvez, quem sabe.
Faz tempo, percebi que sempre tenho vontade de escrever nas horas erradas: subindo escadas, nadando, no meio da aula de matemática, durante a janta - e isso é um grande problema, porque até aqui minha organização falha e as frases que fariam sentido juntas ficam soltas, perdidas (e quando tento fazer as duas coisas ao mesmo tempo, nenhuma delas sai como deveria). Percebi também que não gosto de falar sobre mim, mas sempre que escrevo acabo virando assunto.
Mas dessa vez não tinha como. É que eu precisava escrever e fiquei tão fascinada pelo livro que preferi falar pouco, desviar a atenção para outras coisas e deixar de ser enjoada e falar sobre a obra. Porque Capitães da Areia é, para mim, o tipo de livro quase sinestésico, assim como muito outros entre os meus favoritos. A cada palavra, devem ser sentidas a pele queimando sob o Sol, as roupas esvoaçando com o vento da corrida, a brisa leve trazendo a maresia.
Faz tempo, percebi que sempre tenho vontade de escrever nas horas erradas: subindo escadas, nadando, no meio da aula de matemática, durante a janta - e isso é um grande problema, porque até aqui minha organização falha e as frases que fariam sentido juntas ficam soltas, perdidas (e quando tento fazer as duas coisas ao mesmo tempo, nenhuma delas sai como deveria). Percebi também que não gosto de falar sobre mim, mas sempre que escrevo acabo virando assunto.
Mas dessa vez não tinha como. É que eu precisava escrever e fiquei tão fascinada pelo livro que preferi falar pouco, desviar a atenção para outras coisas e deixar de ser enjoada e falar sobre a obra. Porque Capitães da Areia é, para mim, o tipo de livro quase sinestésico, assim como muito outros entre os meus favoritos. A cada palavra, devem ser sentidas a pele queimando sob o Sol, as roupas esvoaçando com o vento da corrida, a brisa leve trazendo a maresia.
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