segunda-feira, 6 de abril de 2009

Como uma criança

Com os cabelos ainda molhados e do topo da colina, ela observava. No início, conseguira identificar apenas vultos, mas sua visão já se reestabelecera e ela podia ver tudo o que acontecia: crianças. Corriam, pulavam, brincavam, cantavam, todas seguindo o mesmo compasso. Sorriu decididamente, embora ainda se questionasse sobre o que seria o melhor a fazer. Por fim, levantou-se, ainda sorrindo; correu para chegar a tempo de garantir sua participação naquela rodada de esconde-esconde.
A brisa soprou, suave. Desde que adentrara o box do banheiro, estava revivendo sua infância, que agora cheirava a colônia e morango. A cor que ardia em seus olhos.

domingo, 22 de março de 2009

A bailarina trilha seu caminho pela corda-bamba com um pequeno guarda-chuva, que a ajuda a manter o equilíbrio. Alguém que acompanhava o espetáculo, horas depois, na mesma noite, passou a ser chamado de bêbado. E sua embriaguez não se deu graças a nenhuma bebida. O bêbado deixou-se embebedar pela graciosidade da cena à qual assistia, pela beleza da protagonista; embebedou-se disso, talvez, para esquecer os riscos que a equilibrista corria, lá no alto, sozinha com o guarda-chuva. E o bêbado foi, enfim, tomado pela dúvida: se a vida da pequenina não dependesse da corda, que guiava seus passos, e do guarda-chuva, que lhe dava equilíbrio, poderia ela trilhar, com leveza e precisão, o caminho que levaria a seus braços?

sábado, 21 de março de 2009

Como é que se diz?

A cena: uma cesta aguardava por aqueles produtos próximos à sua data de validade. Estaria vazia se uma rosa, e ela sozinha, não descansasse sobre sua superfície vazada.

Um dia, já valeu muito mais.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Piada

Sempre dormir pensando em algo que é realmente importante para você, acordar descobrindo que tudo foi em vão - levantar-se e não reconhecer a figura no espelho.
Afinal, desde quando estou usando maquiagem extravagante e nariz vermelho?
Cômico, não?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Há dias em que as palavras fluem como um rio, podendo até encher uma folha de papel. Há também dias em que muitas palavras são ditas, de modo grosseiro ou não, usadas carinhosa ou desnecessariamente. Até que chega um momento em que a folha não consegue ser preenchida. Há muito mais a ser ouvido que a ser dito.
Mas elas ainda estão lá. Estudam o tempo certo para agir.

Anseiam pelo momento em que serão ditas novamente.